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Recuperação de Dados |
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Não apagou o HD antes de trocar?
Cuidado!
Aviso:
esta reportagem não é aconselhável
para quem tem preguiça crônica, crises de
paranóia, nervos fracos, cabeça na lua ou moral
duvidosa. Em 1997, uma mulher do estado americano de Nevada comprou um
micro usado e descobriu que ele ainda continha registros
médicos de 2 mil clientes de uma farmácia, com
nomes, endereços, número do seguro social,
receituário detalhado de medicamentos comprados e a
identificação de quem estava sendo tratado de
alcoolismo, depressão ou AIDS. No ano seguinte, um estudante
americano, ao ligar uma máquina comprada de segunda
mão, viu que ela tinha sido nada menos que o servidor de
arquivos de uma firma de advocacia. Este mesmo estudante, junto com um
colega de computação do MIT, impressionados com
esta e outras histórias cotidianas de terror
cibernético, recentemente comprou 158 HDs usados.
Após criteriosa análise e emprego de
técnicas simples de recuperação de
dados, os dois ficaram chocados com o que encontraram: além
de muita sacanagem, 5 mil números de cartões de
crédito (que estava no micro de um caixinha
eletrônico), pastas de e-mails, fichas de pacientes e
transações bancárias. Ali
há uma informação que quantifica a
potencial gravidade da situação: no ano passado,
quase 150 milhões de HDs foram retirados de
circulação no mercado global nas
circunstâncias descritas anteriormente.
Fica fácil imaginar o que pessoas desocupadas mentalmente ou
mal-intencionadas podem infligir à sua privacidade ou
à segurança de uma empresa garimpando dados
pessoais diversos de forma metódica em HDs usados. O pior de
tudo é que, como os mesmos não estão
mais ao alcance do antigo dono, a ameaça é
latente e assombrosa, podendo tornar-se real na forma de um roubo de
identidade, sem que você possa fazer nada, apenas tentar
prever os próximos passos do invasor e passar a se precaver
melhor no futuro. Se não se ouve falar de casos de
polícia desta natureza, não significa que os
crimes não estejam acontecendo na penumbra, sem deixar
rastros.
Softwares forenses para investigação de HDs
são vendidos pela internet, prometendo remontar
partições, recuperar arquivos, quebrar senhas e
vasculhar áreas vazias por palavras-chave em qualquer tipo
de sistema operacional, tudo de maneira não invasiva,
objetivando sua validação em tribunais.
As doações de HDs
vêm se multiplicando
O aumento bem-vindo da consciência cidadã
multiplicou o número de doações de
computadores às ONGs, que os preparam para uso interno ou
entrega a comunidades socialmente carentes, visando a reduzir a
exclusão digital. Posso testemunhar que as empresas e
pessoas não levam muito a sério o apagamento
efetivo dos HDs.
Tente se lembrar o que você fez com o último HD
que você utilizou antes de passá-lo para a frente.
Apagou o conteúdo da pasta Meus Documentos, excluiu os
arquivos temporários, zerou o cache da Internet, deletou os
emails e esvaziou a lixeira? Sinto muito lhe informar que o
esforço foi debalde; tem software às pencas
feitos para "des-deletar" arquivos. Formatar o HD e mesmo apagar a
partição de sistema também
não adiantam, pois apenas o seu índice
(diretório raiz) é zerado e pode ser
reconstruído a partir do conteúdo de outras
partes do HD e dos arquivos propriamente ditos, que continuam intactos.
Se a superfície do disco não foi inteiramente
recoberta por outros dados, então existe uma alta
possibilidade de as informações anteriores serem
exumadas perante curiosos ou facínoras.
A regra é simples: não se desfaça de
seu HD sem antes desinfetá-lo. Na eventual
situação excepcional de você querer
passar o seu micro para alguém de confiança sem
que o sistema operacional e aplicativos sejam desinstalados, existem
programas que, antes de deletar os arquivos e pastas selecionadas,
gravam zeros por cima do conteúdo.
Opções
para limpar tudo o que o HD possui
Para varrer do mapa tudo que o HD contém, existem algumas
opções. Se o micro veio com um CD de
recuperação do fabricante, então
use-o, dando boot no sistema pelo drive de CD-ROM. Já se
você estiver se despedindo apenas do HD, provavelmente por
ter comprado um maior, instale o velho como HD secundário
(drive D:), formate-o e depois copie arquivos inofensivos, como fundos
de tela, até encher o espaço
disponível - tudo pelo Windows. Fique atento sempre que
você for fazer um upgrade do HD na oficina de terceiros,
principalmente se for na base de troca. Normalmente eles fazem um clone
idêntico no drive novo, mas o que será feito com o
antigo nunca é discutido de antemão.
Finalmente, se o micro inteiro vai embora, o ideal mesmo é
gerar um disquete com um programa que funcione fora do sistema
operacional, de modo a ter acesso irrestrito ao HD e gravar setores
cheios de zeros de ponta a ponta. É só dar boot
no micro pelo drive de disquete e esperar que ele cumpra sua nobre
função.
Disquetes
e CDs usados também oferecem riscos
A pior circunstância
possível em se tratando de HDs é quando o micro
dá pau ou o HD não quer mais dar boot -
especialmente quando está fazendo barulhos estranhos,
anunciando morte iminente. Paciência, um HD perdido (de que
você evidentemente fez backup na noite anterior,
não é?), mas ainda acessível, no pior
dos azares, por alguém tecnicamente qualificado e
determinado. Que fazer? A solução é
bizarra, porém eficaz: meter a marreta ou a furadeira no
moribundo. Dizem que entregá-lo como brinquedo aos filhos
pequenos também dá na mesma. Quem tiver veia de
designer pode opcionalmente desmontá-lo e expor suas
entranhas aos visitantes da sua sala.
Se você se convenceu da evidência dos riscos, mas
admite que não tem a menor vocação ou
tempo para dar uma de agente sanitário digital,
então procure uma empresa especializada.
Os
disquetes usados também oferecem um sério risco
à privacidade quando deixados à deriva. De modo
que: usou, quebrou ao meio. CDs de uso transitório? Idem.
DOCTOR
BYTE |
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